|
Classicismo em alta Paola Navone ruma em frente e introduz um conceito revolucionário a que ela própria decidiu chamar “Estilo Navoniano”. No início do século XVIII era o Barroco dourado e hiper decorado. Entretanto na segunda metade do século XVIII, o rei Gustavo III da Suécia decidiu introduzir este estilo no seu país, adaptando-o ao gosto e tradições locais. Assim nasceu o “Estilo Gustaviano”, simples e funcional, caracterizado por tonalidades suaves e tons de madeira escura natural. Hoje, em pleno início do século XXI, Paola Navone, directora criativa da Gervasoni, ruma em frente e introduz um conceito igualmente revolucionário a que ela própria, em jeito de uma bem-humorada antecipação histórica, decidiu chamar “Estilo Navoniano”. Com a introdução de um estilo que habilmente conjuga a história do mobiliário contemporâneo ocidental com linhas arredondadas e suaves, características de um certo classicismo Gustaviano, a Gervasoni presta homenagem ao mesmo tempo que revitaliza e recupera os valores do design nórdico. <É interessante verificar como reputadas marcas de design contemporâneo italiano conseguem permanentemente renovar-se dando testemunho de uma enorme abertura a outras fontes de influência.
Paola Navone criou para a Gervasoni uma linha de peças híbridas caracterizadas pela austeridade e suavidade dos seus tons. Branco ou cinzento chumbo nas madeiras, convivem com tampos de mesas em mármore de Carrara ou ardósia. E não estranhe a disparidade de materiais já que também os pés de uma das mesas podem ser em louça branca. Assim como finas riscas verticais cinzentas chumbo concorrem ao lado de assentos de cadeira em rendilhados, expondo contrastes de barroco e depuração. Todos os aspectos decorativos destas “Gray Collection”, tais como as pernas da mesa em louça branca, ou os painéis de espelho serigrafados, são meramente acidentais. Esta colecção de Paola Navone revela a sua habilidade em traduzir a história do mobiliário para uma linguagem actual e moderna. Tudo isto só é possível para alguém que está perfeitamente sintonizado com a realidade da criação contemporânea. Se existe alguma poesia nesta colecção, ela está algures num perfeito equilíbrio entre forma e função.
|